Nascida da comunidade de pirataria, a “demoscene” hoje já não compartilha mais softwares ilegais, mas sim programas de computador capazes de gerar, em tempo real, gráficos e sons artísticos, desafiando, às vezes, os limites dos computadores e da eficiência dos códigos que geram essa “arte digital”. Esses programas, chamados de “demos”, são exibidos em eventos – as demoparties -, onde concorrem em diferentes categorias.
Bent Stamnes trabalha como executivo de uma operadora de tecnologia móvel na Noruega, mas é também um porta-voz da demoscene. Ele mantém o arquivo da demoscene no site scene.org. “Um demo é uma forma de arte eletrônica não interativa e gerada em tempo real”, resume Stamnes, que conheceu demos em 1987, aos 11 anos.
“A ‘cena’ de demos pode ser considerada uma filha bastarda da cena de pirataria, porque as primeiras pessoas que faziam demos eram aquelas que faziam as animações de aberturas em cracks [softwares que permitem quebrar a proteção anticópia] para jogos. Assim como eu, essas pessoas acabaram gostando mais das introduções do que dos próprios cracks, e a cena dos demos surgiu daí”.
Stamnes afirma que a influência da demoscene está presente nos visualizadores de música – como os incluídos no Winamp e no Windows Media Player – e em estúdios de jogos como Team17 (criadora da série de jogos "Worms"), DICE (série "Battlefield" e "Mirror’s Edge"), FunCom ("Age of Conan") e Remedy ("Max Payne" e "Alan Wake").
Demos se diferenciam de programas comuns por não serem interativas: a maioria dos aplicativos ou jogos permite que o usuário interaja ou interfira em sua execução. Também são diferentes de um protetor de tela, porque têm música como um elemento característico e a animação é normalmente sincronizada.
Por serem programas de computador, demos utilizam tecnologias como o DirectX, OpenGL e linguagens de programação como C++, além de softwares como o Photoshop e Maya para a edição de gráficos – um conjunto muito parecido com o que é usado para criar jogos de computador.